Pular para o conteúdo principal

Estudo do Inconsciente

 Inconsciente: Perspectivas Filosóficas e Psicanalíticas O estudo do inconsciente tem sido uma das áreas mais fascinantes e complexas da filosofia e da psicologia. Desde os tempos antigos, filósofos têm contemplado a natureza oculta da mente humana, enquanto a psicanálise, especialmente através dos trabalhos de Sigmund Freud e outros psicanalistas contemporâneos, tem lançado luz sobre as camadas profundas da psique humana.  Este breve texto visa explorar essas perspectivas, desde os fundamentos filosóficos até as contribuições contemporâneas da psicanálise, incluindo importantes figuras brasileiras nesse campo. Filosofia e o Inconsciente A investigação filosófica sobre o inconsciente remonta aos tempos antigos, com Platão sugerindo a existência de uma alma dividida em camadas, algumas das quais permanecem inacessíveis à consciência. Aristóteles, por sua vez, discutiu o papel dos sonhos como reveladores de desejos e preocupações ocultas.  No entanto, foi com a ascensão da psicanálise qu

Psicologia das massas e análise do Eu (1921)

 O texto "Psicologia das Massas e Análise do Eu" de Sigmund Freud, escrito logo após a Primeira Guerra Mundial, explora os fenômenos psicológicos que ocorrem quando indivíduos se agrupam em massa. Freud analisa como a identidade individual se dissolve em favor de uma identidade coletiva, destacando a influência de líderes carismáticos, ideologias e instituições sociais na formação e manipulação das massas.


No contexto do texto, tanto o exército quanto a igreja são instituições que exercem um poder significativo sobre as massas. O exército representa uma forma de organização hierárquica e disciplinada, onde a individualidade é suprimida em prol do propósito coletivo, moldando comportamentos e valores em direção aos objetivos militares. Por outro lado, a igreja exerce influência através da religião, explorando aspectos emocionais e espirituais para unir e controlar as massas.


Esses temas encontram ressonância em regimes de extrema direita, como o governo de Jair Bolsonaro no Brasil. O autoritarismo, a retórica populista e a manipulação das emoções coletivas são estratégias comuns nesses regimes, refletindo os mecanismos psicológicos discutidos por Freud. A ascensão desses líderes muitas vezes está associada a ataques à democracia, minando instituições democráticas para consolidar o poder autoritário.


Além disso, a pregação religiosa também é utilizada como ferramenta para controlar as massas, promovendo valores conservadores e legitimando a autoridade do regime. A manipulação da fé e das crenças religiosas pode ser uma poderosa ferramenta de controle social, especialmente em contextos onde a religião desempenha um papel significativo na vida cotidiana das pessoas.


Em suma, o texto de Freud fornece insights profundos sobre os mecanismos psicológicos subjacentes ao comportamento de massa, destacando a interação entre instituições sociais, líderes carismáticos e ideologias na formação e manipulação das massas. Essas reflexões são especialmente pertinentes ao examinar regimes políticos contemporâneos e suas estratégias para controlar e manipular a opinião pública.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O início do tratamento (1913)

 "O Início do Tratamento (1913)" é um texto seminal de Sigmund Freud, no qual ele aborda questões fundamentais relacionadas ao processo inicial da psicanálise .  Neste ensaio, Freud explora a dinâmica entre o paciente e o terapeuta durante as fases iniciais do tratamento psicanalítico, fornecendo insights valiosos sobre a construção da relação terapêutica e os desafios enfrentados nesse contexto. Freud destaca a importância do estabelecimento de uma aliança terapêutica sólida e confiável, na qual o paciente sinta-se seguro para explorar livremente seus pensamentos, emoções e experiências mais profundas. Ele enfatiza a necessidade do terapeuta em oferecer um ambiente acolhedor e livre de julgamentos, no qual o paciente se sinta encorajado a expressar-se honestamente. Além disso, Freud discute a técnica da associação livre , na qual o paciente é incentivado a relatar livremente tudo o que lhe vem à mente, sem censura ou filtro. Ele destaca como essa técnica é fundamental para a

O homem dos lobos (Freud)

O homem dos lobos foi um caso atípico na clínica psicanalítica de Freud. Em 1910 teve início as sessões, interrompida pela guerra, em 1914. Desse modo, é considerado um caso longo para os parâmetros do Freud. Vale lembrar que na época, o psicanalista recebia o paciente 5x por semana em seu consultório na cidade de Viena, Áustria , mas a análise pessoal não durava por muitos anos, como nesse caso específico do "homem dos lobos". Após a guerra, o paciente retomou a análise com o psicanalista, em um segundo momento, estabelecendo consigo um prazo de encerramento das sessões psicanalíticas. Aliás, uma técnica ativa, que como o próprio disse, o ajudou a avançar na análise com Freud. Em seguida, segue análise com outros psicanalistas. ë conhecido na história da psicanálise por ter tido muitos analistas. Muitas das coisas das quais eu fiquei sabendo, eu fiquendo sabendo apos estabelecer esse prazo Para quem estuda psicanálise, sabe que Freud participava de reuniões com outros médico

O desejo de analista", de Bruce Fink

 O capítulo "O desejo de analista" de Bruce Fink, presente em seu livro "Introdução clínica à psicanálise lacaniana", aborda um dos conceitos fundamentais da psicanálise lacaniana: o desejo do analista. Fink argumenta que, ao contrário do que se pode pensar, o desejo do analista não é algo que pode ser completamente controlado ou eliminado. Na verdade, o desejo é parte integrante do processo analítico e pode ser usado de forma produtiva para ajudar o paciente a alcançar uma compreensão mais profunda de seus problemas. O autor destaca que o desejo do analista não é o desejo sexual, como muitos podem imaginar, mas sim o desejo de saber e de entender o paciente. Ele enfatiza que o analista precisa estar disposto a se envolver emocionalmente com o paciente, sem deixar que suas próprias questões pessoais interfiram na análise. Fink destaca a importância de o analista ter uma relação "neutra benevolente" com o paciente, em que ele não busca satisfazer suas própr

Vocabulário da Psicanálise - Laplanche e Pontalis

O dicionário, glossário, ou melhor, Vocabulário da Psicanálise, de Jean Laplanche e Jean-Bertrand Lefebvre Pontalis, é referência para consultar de termos e vocábulos da clínica psicanalítica . "Na medida em que a psicanálise renovou a compreensão da maioria dos fenômenos psicológicos e psicopatológicos, mesmo a do homem em geral, seria possível, num manual alfabético que se propusesse abarcar o conjunto das atribuições psicanalíticas, tratar no apenas da libido e da transferência, mas do amor e do sonho, da delinquência ou do surrealismo.  A nossa intenção foi completamente diferente: preferimos deliberadamente analisar o aparelho nocional da psicanálise, isto é, o conjunto dos conceitos por ela progressivamente elaborados para traduzir as suas descobertas. Este Vocabulário visa, não a tudo o que a psicanálise pretende explicar, mas antes àquilo de que ela se serve para explicar". -- Laplanche e Pontalis Consulte o PDF para estudos .